Logótipo da Númena

> LIBERALIZAÇÃO DA ENERGIA

Este projecto, levado a cabo por Tito Damião e Tiago Santos, faz parte da pré-história da Númena na medida em que pré-data em alguns meses a sua constituição formal. É em tudo o mais um projecto da Númena. Trata-se de um estudo sobre o impacto socioeconómico da liberalização dos mercados do gás e da electricidade que nos foi solicitado pela Presidência Portuguesa do Conselho Europeu - 2001.

O relatório analisa a então iminente liberalização dos mercados da electricidade e do gás sob o ponto de vista da forma como esta afectaria o emprego e o interesse dos consumidores. Para tal, lança mão de dados preexistentes respeitantes a países onde processos similares haviam já tido lugar, sendo dedicada especial atenção ao caso português.

O relatório passa em vista os critérios adoptados nas reestruturações e os sectores organizacionais mais afectados pela redundância e despedimentos, mantendo sempre presente o que havia a ganhar ou a perder em termos de preço e qualidade de serviço aos consumidores, diferenciando estes últimos em indústrias e lares.

Constatámos que a perda de empregos durante os cerca de cinco anos que antecederam a efectiva liberalização, nos seus aspectos legislativo e operativo, foi extremamente significativa. Mais de 200.000 foram perdidos neste sector na UE15, particularmente no Reino Unido, onde desapareceram 100.000 postos de trabalho.

Em termos de benefícios, não encontrámos um resultado positivo destes processos de reestruturação em termos de preços praticados junto do consumidor. Por estranho que pareça, em alguns países foi observada a tendência oposta, ou seja, ocorreram aumentos de preços marginais em paralelo ao processo de privatização, quando a margem de lucro era já superior.

Esta investigação pode ser tida como exemplo da necessidade de monitorizar políticas, medindo oportunamente as tendências nas entradas e resultados, analisando quer o sector como um conjunto complexo de organizações (Medição de Desempenho Organizacional), quer o impacto da sua actividade nos lares e nas indústrias, em termos de preços, alocação e assumpção de responsabilidades sociais corporativas.

Uma perspectiva comparativa tem então o potencial de demonstrar que países têm mais a perder neste processo, nomeadamente se a rede europeia de energia tender a igualizar esta variável-chave do desenvolvimento e se as economias periféricas se virem forçadas a perder competitividade à medida que a sua dependência energética cresce.

Versão para Impressão


Arrastar para navegar pelo texto
Foto das instalações da Númena